
Nota: A quem visitou o post nos dias 22 e 23 de outubro pelo InternetExplorer não devem ter encontrado o site em cima. Agora que o problema está resolvido deixo os meus agradecimentos ao Estevão da InfoDinheiro que me alertou para o problema.
Com os meus amigos e colegas, costumo discutir os efeitos da crise actual na sociedade consumidora dos dias de hoje, bem como as consequências desta crise no amanhã. Costumamos abordar um vário leque de subtemas que estão dentro deste grande tema que é a recessão dos vários países do 1ºmundo.
Recessão para o próximo ano? Recessão no mercado da publicidade online?
Ora, a palavra recessão define uma economia que não se expande, e se não existe esse tal crescimento como poderá sair de lá alguém beneficiado com a crise? De que forma nós webmasters e investidores na Web sairemos prejudicados? AdSense? Programas de Afiliados? Quem é que vai deixar-se cair.
A Accenture está despreocupada!
Ontem mesmo, estava a observar uma entrevista entre um colega meu, Meraj, e um executivo da Accenture, aqui em Londres, no Symbianlife SmartPhone Show. Eu pedi que ele fizesse a pergunta do costume: Como é que a Accenture irá enfrentar a crise que vivemos?
A resposta foi no mínimo despreocupada e sem interesse algum, talvez ele queria só fugir à questão. Ele disse então que a crise não afectava de forma alguma a Accenture e que sendo esta uma empresa dedicada à criação de software e programas de controlo de Hardware conseguiria até mesmo ter um crescimento nos próximos meses, pois teriam sempre as outras empresas, Microsoft e afins a pedirem software para demonstrações de efeitos da crise na contabilidade da empresa, p.e.
A Mota-Engil e o que vemos no Jornal de Negócios…
Agora, pergunto eu: Será que esses pedidos chegam para evitar quedas nos lucros? Eu respondo que não e dou o exemplo da Mota-Engil e de outras empresas de construção -estas têm tido vários pedidos nos últimos tempos, nomeadamente relacionados com as obras públicas, mas estas não podem aceitar todas as obras pois a crise não permite que se endividem nos valores considerados normais, logo não podem afectar todos os seus meios de produção da melhor forma.
Ora, a Accenture não poderá também afectar todos os seus recursos, pois agora os bancos estão mais cautelosos e é cada vez mais difícil obter créditos e empréstimos bancários nas instituições financeiras se a estas não for aumentado o limite de crédito.
Eles fazem o que podem, o contrário seria mentira
Como vemos, os bancos centrais têm injectado capital nos mercados e no sistema financeiro, para esse mesmo fim, para manter a estabilidade nas transacções dos vários bancos, para que se mantenha um fornecimento de crédito normal, permitido assim que as instituições financeiras tenham essa liberdade de requerer crédito assim que precisem e que não haja estagnação nesse processo. Porque se houver uma paragem geral, todas as economias entram em recessão e é o fim do capitalismo moderno.
Estou a tentar fazer com que percebam como é que tudo ocorre e porque é que ocorre, para depois entendermos o meu ponto de vista relativo aos “adsenses” e amigos.
AIG e a crise em tamanho grande
Ora, os bancos centrais e reservas federais não podem injectar capital ilimitadamente e haverão muitas instituições a falir e a não ser salvas. Outras, serão salvas, mas nesses casos a população pagará um valor muito alto por isso, vejamos a AIG, seguradora que foi “salva” e a quem foi fornecido um crédito superior a 100 bilhões de dólares - há dois dias dizia-se que 2/3 desse valor já tinha sido utilizado.
Estão a ver bem a dimensão da crise? Estão a perceber porque é que há aquelas reuniões onde não se discute só o montante a injectar mais SIM o Plano de Salvação Mundial? Tem que ser assim, não virá nenhum génio criar a solução, terá que ser uma comunidade a combinar esse plano.
Agora sim, o Adsense, ebay e amigos!
Tenhamos agora em conta uma empresa como a Google, cujos lucros derivam da compra de publicidade por anunciantes dos diversos cantos do mundo e a distribuição destes pelos vários canais que possui, adsense, gmail, motores de busca, entre outros. Mas, com a crise actual as empresas têm orçamentos menores (actualmente ainda estão a cumprir orçamentos definidos já há algum tempo ou orçamentos definidos no ano passado, sendo que a a grande maioria delas não tomou medidas de contenção ainda, e essa é na minha perspectiva a razão do resultados do terceiro trimestre da Google acima do esperado), e nesses orçamentos a parte destinada ao marketing e publicidade deverá diminuir, logo, irão comprar menos publicidade à Google e a concorrência em certas palavras irá diminuir, gerando um menor CPC, onde tanto a Google receberá menos, como nós, utilizadores do Adense teremos um PPC menor.
No fundo o que quero dizer é que poderão começar a observar reduções nos vossos rendimentos de AdSense, como consequência da crise. Partimos de uma base de explicação teórica linear, mas alguém consegue explicar de alguma forma efeitos contrários? Será que numa altura de recessão as empresas estarão confiantes nos seus investimentos em publicidade, sabendo que o poder de compra é baixo e que a inflação sobe, que a inflação tem tendências para a galopante?
Pensem no Adsense, como nos lucros de um canal televisivo na publicidade, SIC…TVI e por aí adiante…
E o ebay? De que forma perderá terrenos face às suas congéneres no mercado dos programas de afiliados? Haverá menos leilões? Talvez haja mesmo mais, visto que as pessoas podem querer vender agora muitos mais objectos, mas não é PODER de COMPRA, e é aí que residirá o problema da ebay bem como dos rendimentos que podemos obter dos programas de afiliados. Numa temporada de recessão, falar de poder de compra torna-se essencial para perceber como tudo isto é global. Todavia, os efeitos da crise neste aspecto da ebay, não chegarão agora, estão mais para o longo prazo. De momento só poderão ser observados nesta empresa problemas relacionados com a falta de capital para investimento, pois noutros aspectos é uma empresa que pode suportar a crise.
E os outros programas de afiliados e programas de PPC? Já se vêm algumas falências e deverão ser observadas muitas outras, pois este tipo de empresas, de menor dimensão, não são tão sustentáveis como uma Google e um Adwords/Adsense.
E a publicidade directa? E tudo mais? Digam lá vocês.
PS: Peço desculpa pela dimensão da postagem, mas queria que entendessem bem o momentum de oportunidades que estamos a ter agora e que teremos no futuro.
Abraço (um briol aqui em Londres)
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As informacoes que tenho visto da Accenture nao condizem com as tuas… diz se que vao despedir 200/300 consultores… nao me parece despreocupada… isto vai ser um circulo… despedem para poupar… menos poder de compra na rua… menos lucros nas empresas de base… menos investimento… mais despedimentos… :S
Estevaos last blog post..Facebook ja me da dinheiro!
Exacto, foi a despreocupação desse manager que me chamou a atenção, claro que durante a entrevista não intervi, pois o entrevistador não era eu.
Abraço e obrigado pelo aviso do estado da post
Muhammad
em relação ao Adsense, para já está muito igual aos meses anteriores. Já o eBay foi bastante melhor em Outubro. espero que continue assim.
Rui Augustos last blog post..Breves
[...] mês atrás, quando ainda não tínhamos sofrido com a queda no adsense eu lí este post e compartilhei com a opinião. Hoje sabemos que é [...]
Aqui no Brasil já sentimos os efeitos… inclusive questionei blogueiriso e escrevi sobre.
Excelente seu texto… será em círculo, como disseram nos comentários… e vai atingir a todos, ou quase todos.
Agora é trabalhar, reinventar e aguardar as “vacas gordas”.
Abracos
Maysa
Maysas last blog post..Nokia N97