A Escolha dos Instrumentos a negociar
Já sabemos o que é a bolsa, o que é a análise técnica e o que é a fundamental, expliquei porque é que uns escolhem a Análise Técnica e porque é que outros preferem a Análise Fundamental.
Porém, em todo o tipo de análises há a necessidade de escolher este ou aquele instrumento a negociar. Ou seja, cada investidor tem um perfil, e deve adequar o seu perfil à ATécnica ou à AFundamental e apartir daí deve fazer uma seleccção de algum ou de alguns instrumentos que vai passar a negociar nos mercados preferencial e rotineiramente.
A “Polivalentia”…
Existe o investidor polivalente, que investe em todos os instrumentos, seja Forex, Acções, CFD’s, Warrants ou Futuros e consegue conciliar tudo isso procurando qual a melhor altura para negociar cada um deles. Por exemplo:
Podia negociar Forex somente na saída da decisão de taxas de juro pelo BCE ou pela Reserva Federal Norte-Americana, podia por outro lado negociar os Futuros num dado momento devido a uma determinada guerra que pudesse vir a aparecer, podia também ao mesmo tempo negociar acções pois o mercado estava em forte alta.
Isto é, o investidor polivalente é aquele que consegue conciliar os mais variados instrumentos no seu estilo de trading. Você consegue esse tipo de organização? Eu não, é por isso que experimentei em contas demo todos os instrumentos para ver quais os que conseguia negociar segundo o meu estilo de trading (análise técnica e de curto prazo). Com essa experiência consegui perceber quais são os intrumentos mais voláteis, os que possuem falhas que eu não consigo muitas vezes compreender (como os warrants) e aqueles que têm maior volume e onde é puramente o funcionamento do mercado a ditar a sua função (isto não acontece muito no índice nacional dada a fraca capitalização das empresas e à consequente falta de volume, logo os mais poderosos monetariamente conseguem “manipular” legalmente as cotadas).
Não devo ser lá muito polivalente, apesar de achar engraçado a poligamia. Então manda daí os instrumentos…
Logo, e seguindo a minha opinião e corrente/forma de trading, vou enumerar os vários instrumentos que existem no mercado. Alguns só falarei desta vez, pois são aqueles que recomendo que se afaste e que não apoio nem consigo perceber o seu funcionamento no seu todo.
- Acções: Uma acção representa uma parte do capital de uma empresa que esta emite em termos de Sociedade anónima, resultando da divisão do capital social da empresa em partes iguais. Estas são negociadas na Bolsa de Valores. Existem actualmente centenas de mercados bolsistas em todo o mundo. Em Portugal temos 2, o Portuguese Stock Index (PSI), e o Portuguese Stock Index 20 (PSI-20). Este último engloba as principais empresas do primeiro. Todavia, em Portugal não existem muitas empresas, é, talvez, um dos índices com menor volume na Europa; tentando contrariar essa situação fala-se já no AlterNext que será um índice composto por empresas mais pequenas, com um capital social superior a 1 milhão de euros, podendo dispersá-lo em bolsa. O que se pretende é que existam muitas empresas dessas, centenas, e que através do financiamento obtido pela colocação do capital em bolsa, tenham possibilidades para crescer sem recorrerem ao financiamento externo indirecto, ou seja, ao crédito bancário. Deste modo é possível aumentar o volume de negociação, e permitir que médias empresas cresçam e tornem-se grandes podendo vir a integrar o PSI.
Por outro lado, com a globalização acabamos por negociar nos índices internacionais, como o NASDAQ, que engloba as empresas tecnológias dos Estados Unidos, o NYSE, englobando as outras empresas não tecnológias, mas grandes; por último existe o Dow Jones que engloba as empresas mais antigas e mais “fortes” dos Estados Unidos da América. Logo, quem não negoceia no seu índice nacional, tem grande preferência por outros índices europeus ou pelos índices americanos.
Como sabem, o mercado funciona com o confronto da oferta e da procura, e é isso que determina o preço. Em termos de acções a única coisa que podemos fazer é comprá-las, logo, se escolhemos este instrumento queremos que as empresas em que investimos tenham valorização, não podendo ganhar com a sua desvalorização.
- Forex (Foreign Exchange) - Também chamado de “Retail Forex”, “FX”, “Spot Forex” ou só mesmo “Spot”. É muito vulgar utilizarmos a designação “mercado spot”, visto que existem warrants sobre este mercado e deixam de ser spot (como vamos ver mais à frente). O mercado Forex é o maior mercado do mundo, movimentando 3 trilhões de euros diariamente. Porque é que esse valor é tão elevado, sendo este um mercado relativamente novo? Devido à alavancagem: Ao passo que nas acções não existe directamente alavancagem, o Forex é um mercado primitivamente alavancado, ou seja, ao investirmos 500 euros, estamos a investir 100 vezes mais, ou seja 50.000 euros, sendo a instituição bancária a fornecer/emprestar o restante valor, criando moeda. Essa alavancagem pode ser escolhida por nós em alguns Brokers (prestadores de serviços), e pode ir até 500 vezes mais. É claro que ser perdermos, o banco nunca deixa o nosso saldo ficar negativo.
Isso é que era bom…saldo negativo….nem no telemóvel….“Não há Almoções Grátis”
Forex é então comprar uma moeda e vender ao mesmo tempo outra, logo as moedas são trasacionadas em pares, por exemplo, temos o EURUSD, o EURGBP, o GBPUSD, o USDZAR, o USDCAD. No caso do EURUSD se abrirmos uma posição longa estamos a apostar na valorização do EUR (euro) e na consequente desvalorização do USD (dólar), se abrirmos uma posição curta (venda), apostamos na desvalorização do primeiro (EUR) e valorização do USD (dólar).
O preço de uma determinada moeda em relação a outra é o reflexo comparativo das duas economias e da sua situação no momento. Não existe nenhum Wall Street neste mercado, não há praça, é tudo negociado virtual e electronicamente, sendo consequência da globalização. Por razões de segurança não há verdadeiro conhecimento dos volumes negociados.
Antes, em 1990 nem todos conseguiam investir nos mercados, precisava de mihões de dólares para ter algum retorno, 50 milhões chegavam para começar (lol), ou seja, isto era só para os grandes bancos e outras instituições monetárias. Agora e com a alavangem, qualquer um pode investir nele.
- Warrants: É o instrumento mais controverso que existe, devido à manipulação de alguns bancos, que é permitida visto que quem cria o produto são os próprios bancos (Citibank e CommerzBank). Um warrant é um instrumento financeiro que concede ao seu detentor o direito de comprar ou vender um produto de investimento, a um preço previamente determinado. O produto de investimento pode ser acções, cabazes de acções, obrigações, Forex, matérias- primas ou tendo como bases índices. Estes produtos poderão servir também como subjacente de warrants. As acções Royal Dutch, por exemplo, são utilizadas como subjacente e um warrant sobre estas acções concede ao seu detentor o direito de comprar ou vender um determinado número de acções Royal Dutch a um preço específico. O direito de comprar ou vender o subjacente só se aplica durante um determinado período. Existe um market maker que tem que estar 90% do tempo de negociação à frente ao ecrã ajustando as compras e vendas ao preço de mercado, é por isso tão controverso, bem como pelas fórmulas de cálculo que possui.
- CFD (Contract For Difference): Com vista a substituir a ineficácia dos Warrants, criaram-se os CFD’s, Os CFDs sobre Acções são instrumentos financeiros derivados, cujo preço reflecte o preço da emissão das acções que constituem o seu activo subjacente , negociados fora de mercados regulamentados e que proporcionam aos investidores uma forma alternativa de negociação em acções ( sem comissões, com spread e com mais casas decimais devido ao spread). Estes CFDs têm por activo subjacente acções admitidas à negociação na New York Stock Exchange, no Nasdaq, e muitas outras praças. A praça portuguesa aderiu recentemente aos CFD’s, mas esses instrumentos em Portugal, sofrem de certo modo de manipulação a favor das instituições bancárias…
Como disse, nas acções só podemos comprar e esperar que as acções valorizem, com os CFD’s podemos fazer isso, tendo a alavangem, emprestando a instituição bancária o resto do valor investido. Nos CFD’s podemos também fazer ao contrário, primeiro vendemos e depois compramos, podendo parecer esquisito, mas resume-se a vender primeiro esperando que o activo subjacente desvalorize e depois de termos vendido temos a hipótese de comprar posteirmente: se comprarmos a um valor superior ao vendido perdemos dinheiro; se comprarmos a um valor inferior ao vendido, ganhamos. Quanto vendemos primariamente os CFD’s, ou seja, quando temos uma posição curta, o banco pága-nos juros, se tivermos uma posição longa, nós pagamos os juros ao banco.
- Futuro: É um acordo entre duas partes para transaccionarem um determinado activo, numa data futura, a um preço pre-estabelecido. Uma das partes é o comprador, que tem a obrigação de comprar o activo na data futuro ao preço determinado. O Vendedor tem a obrigação de vender o activo na data futura ao preço acordado. Se entre a data do acordo e a data de transacção o preço do activo subir, o comprador, que tem uma posição longa, ganha o diferencial entre o valor do Activo à data da transacção e o preço acordado. Este ganho representa uma perda para o vendedor, posição curta. Descontado comissões, os futuros são um jogo de soma nula, em que o ganho de uma das partes é idêntico à perda da outra parte. Os Futuros são standartizados (dimensão, qualidade do subjacente, data e condições de entrega são pré definidos), regulados e cotados em Bolsa. Ao estarem cotados, e de forma a garantir que o acordo sera comprido por ambas as partes na sua maturidade, existe a Câmara de Compensação (Clearinghouse). A Câmara de compensação funciona como um intermediário entre comprador e vendedor. Um comprador ao assumir uma posição longa, a Camara vende-lhe o futuro. Reciprocamente, um vendedor ao assumir uma posição curta a Camara compra-lhe o futuro.
Para vender ou comprar a Câmara exige uma margem inicial. Diariamente e com base no Settlement price a posição é ajustada. Os ganhos são acrescidos a margem inicial e as perdas são subtraídas na margem inicial. Se as perdas forem superiors à margem de manutenção, o titular da posição tem uma chamada de Margem (Margin Call). Se o depósito relativo à chamada de margem não for efectuado a posição é automaticamente fechada. Existem futuros sobre quase tudo, acções, índices, entre outros. Para mim destacam-se os futuros sobre Commodities e sobre as taxas de juro, este último começo agora a explorar.
É simples, há vários instrumentos, temos que escolher os que melhor se enquadram ao nosso perfil, bem como escolher o banco que possui essses instrumentos para negociar. Falarei sobre os bancos no próximo post sobre o assunto.



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